16 January 2020
Lisbon is Europe’s Green Capital in 2020

Lisbon is Europe’s Green Capital in 2020

 
​A Capital Verde Europeia deste ano é Lisboa. O seu prefeito, Fernando Medina (PT-PSE), é membro do Grupo PSE no Comité das Regiões Europeu e o Comitê solicitou que  elle apresentasse algumas das conquistas que colocaram Lisboa na vanguarda das cidades mais verdes da Europa - e dos melhores lugares para se viver.

 

Prefeito Medina, Lisboa é a décima primeira cidade da Europa a receber o prêmio Capital Verde da Europa. Por que é que Lisboa foi selecionada e de quais projetos sustentáveis você mais se orgulha?

A entrega do galardão a Lisboa constitui, por um lado, o reconhecimento do trabalho desenvolvido durante a última década no sentido de uma cidade mais verde e amiga das pessoas, visível em áreas como a estrutura verde, a mobilidade, o espaço público, a energia ou ambiente, mas resulta sobretudo do compromisso com o futuro patente em diversos projectos e metas na área da sustentabilidade ambiental.

Saliente-se que se trata da primeira capital do Sul da Europa a receber esta distinção e foi considerada pelo júri a que mais evoluiu em todos os parâmetros analisados. A esse nível destaca-se que as metas de descarbonização foram ultrapassadas (46 por cento em 2016), a reciclagem ultrapassou os 34 por cento e apenas 1% dos resíduos são encaminhados para aterro. 

Estiveram ainda em foco, entre outros, a requalificação do espaço público em zonas como o Cais do Sodré ou o Campo das Cebolas, o aumento da área verde em mais de 250 hectares desde 2008 (de um total de mais 350 hectares até 2021), a despoluição do Tejo, a construção de uma rede ciclável de mais de 90 km (de um total de 200km até 2021), progressos significativos na redução das emissões dos transportes e promoção do seu uso com introdução de novos tarifários de 1€/dia, com mais 63 milhões de viagens desde abril de 2019. A cidade fez ainda esforços na eficiência energética dos edifícios, a implementação total da tecnologia LED nos semáforos e a implementação de meios suaves de transporte, como a rede de bicicletas partilhadas GIRA.

 

Lisboa foi a primeira capital europeia a assinar o Pacto de Autarcas para o Clima e Energia. Quais são os seus próximos projetos emblemáticos para avançar a sustentabilidade em Lisboa?

Entre os vários compromissos assumidos pela autarquia destacam-se:

  • Atingir a neutralidade carbónica até 2050
  • Conclusão de uma central fotovoltaica de 2MW para abastecimento da frota elétrica da Carris
  • Atingir os 103 MW de produção de energia solar fotovoltaica oriunda de painéis solares instalados em toda a cidade até 2030 (1MW/km2)
  • Instalação de uma rede de distribuição de água reciclada a partir das estações de tratamento de águas residuais (Fábricas da Água) para reutilização nos sistemas de rega e lavagem de ruas, que irá entrar em funcionamento na sua totalidade em 2025
  • Poupar 25 por cento de água potável através de um programa de eficiência hídrica nas vertentes de racionalização do consumo e reutilização
  • Implementar o Plano Geral de Drenagem, que permitirá resolver problemas de escoamento das águas das chuvas e acautelar os efeitos das cheias e inundações decorrente das alterações climáticas
  • Reforço e renovação da frota do transporte público (Carris), simplificação dos títulos de transporte e aposta na diminuição das deslocações de veículos automóveis ligeiros dentro da cidade. Inclui a aquisição de 410 novos autocarros de elevado desempenho ambiental até 2023 e a duplicação da frota de elétricos rápidos
  • Redução das viagens em automóvel de 57 por cento para 33 por cento
  • Alargamento da rede de bicicletas partilhadas a toda a cidade
  • Transformar a cidade numa “Cidade de Bairros' (qualquer pessoa, em qualquer lugar da cidade, pode aceder a pelo menos dois modos sustentáveis num raio de 500 metros).
  • Promover a diminuição da produção de resíduos; aumentar a recolha seletiva; combater o uso do plástico descartável, eliminando a sua utilização em espaço público e combater o desperdício alimentar; promover uma verdadeira economia circular dos materiais.
  • Até 2030 enviar para reciclagem metade dos resíduos recolhidos 
  • Redução da produção de resíduos per capita em 15 por cento
  • Implementação em toda a cidade da recolha seletiva porta-a-porta dos bio resíduos (resíduos orgânicos).

 

Quais são as principais atividades que a cidade de Lisboa organizará como Capital Verde 2020?

No sábado, 11 de janeiro, decorre a cerimónia de abertura (programa anexo).

É inaugurada uma  exposição do Oceanário de Lisboa “ONE o Mar como nunca o sentiu", uma instalação da autoria da artista portuguesa Maya, que apresenta imagens filmadas exclusivamente no mar de Portugal e transmite uma mensagem profunda sobre a ligação ancestral do Homem com o Mar.

A agenda de eventos prevê a realização de exposições e importantes conferências internacionais, acolhidas pelos diversos parceiros da iniciativa, como o Museu Nacional de História Natural e da Ciência da Universidade de Lisboa, o Pavilhão do Conhecimento Ciência Viva, a Academia das Ciências, o Oceanário, o Museu da Eletricidade, o MAAT, a Fundação Calouste Gulbenkian, o Centro Cultural de Belém, instalações da EPAL e da Fábrica de Água em Alcântara, a Gare Marítima de Alcântara, entre muitos outros.

Paralelamente, decorrem programas educativos para os alunos das escolas, do ensino básico ao universitário, e iniciativas que pretendem envolver diferentes públicos.

Considera que a voz das autoridades locais e regionais é suficientemente ouvida na UE? O Comité das Regiões Europeu é uma forma eficiente de canalizar as suas 'prioridades europeias'?

A voz das cidades tem que ser cada vez mais ouvida pois, como se sabe,  metade da população mundial já vive em áreas urbanas. Além disso, estimativas apontam que, até o ano de 2050, mais de 70% da população mundial estará a viver em cidades. É pois aos centros urbanos que os grandes desafios ambientais se colocam e ganham dimensão. As alterações climáticas e os seus efeitos são globais, mas os problemas que podem estar na sua origem são locais e esses resolvem-se precisamente à escala urbana. Veja-se o caso da mobilidade, por exemplo. Em Lisboa, procuramos reduzir as emissões poluentes por via do incentivo ao uso do transporte público (numa perspectiva metropolitana, promovendo-se por isso a convergência dessa estratégia entre cidades vizinhas) bem como da sensibilização das populações para o uso de mobilidade partilhada e complementar. Em Lisboa, procuramos explicar às pessoas que é possível chegar ao sítio que pretendem não apenas no seus carros particulares. Podem ir de autocarro, bicicleta, de comboio e trotineta ou simplesmente, a pé. 

Sendo o órgão europeu onde têm assento as cidades e as regiões, o Comité das Regiões tem, por isso mesmo, que ganhar cada vez mais importância no seio das instâncias comunitárias. Decisões futuras e sobre o futuro dos povos da Europa relativamente a diversas matérias e investimentos dizem respeito aos Estados membros, mas, estes devem ter em conta cada vez mais quem está mais próximo do sentir e das necessidades dos cidadãos, precisamente, os seus representantes, os autarcas.

O Prémio Capital Verde Europeia  é o resultado de uma iniciativa tomada por 15 cidades europeias (Tallinn, Helsínquia, Riga, Vilnius, Berlim, Varsóvia, Madrid, Lubliana, Praga, Viena, Kiel, Kotka, Dartford, Tartu e Glasgow) e a Associação das cidades da Estônia em 15 de maio de 2006 em Tallinn, Estônia. A visão verde foi traduzida num Memorando de Entendimento conjunto, estabelecendo um prêmio para reconhecer cidades que estão liderando o caminho com uma vida urbana ambientalmente amigável. Para ler o memorando, por favor clique aqui. A iniciativa foi lançada pela Comissão Europeia em 2008.

Esta entrevista foi publicada originalmente pelo Comitê das Regiões Europeu.

 

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Crédito da foto: Lisbon Green Capital

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